Porto Velho, 14 de Dezembro de 2017.

MENSAGEM DE NATAL

 

Amados irmãos e irmãs.

Paz e bem!

É com alegria que me dirijo a cada um(a) de vocês nesse tempo litúrgico tão bonito e importante que é o Advento do Senhor. Tempo que nos prepara para o Natal do Menino Jesus. O Papa Francisco, em sua Mensagem de Natal, recorda-nos que na noite santa “concretiza-se o amor de Deus por nós no Menino que nos é dado gratuitamente”. Usando as palavras de São Paulo, ele nos diz: “Pois a graça salvadora de Deus manifestou-se a toda a humanidade” (Tt 2,11).

A noite do Natal é uma noite de glória proclamada pelos anjos em Belém e também por nós em todo o mundo. Deus se faz um de nós, próximo de nós, é Deus-Conosco! Como cristãos não podemos nos deixar distrair com os apelos do comércio, as luzes, presentes e banquetes. É preciso deixar-se interpelar pelo Mistério do Natal, mistério que traz em si um profundo paradoxo: é momento de luz, alegria e esperança; mas é também de tristeza, “já que o amor não é acolhido, e a vida é descartada”.

Natal é tempo de sensibilizar o nosso coração para ver a dor do outro, como nos convida o Papa Francisco: “Deixemo-nos interpelar pelo Menino na manjedoura, mas deixemo-nos interpelar também pelas crianças que, hoje, não são reclinadas em um berço nem acariciadas pelo carinho de uma mãe e de um pai, mas jazem nas miseráveis ‘manjedouras de dignidade’: no abrigo subterrâneo para escapar de bombardeamentos, na calçada em uma grande cidade, no fundo em um barco sobrecarregado de migrantes. Deixemo-nos interpelar pelas crianças que não se deixam nascer, as que choram porque ninguém lhes sacia a fome, aquelas que na mão não têm brinquedos, mas armas”.

Como aconteceu com José e Maria, que encontraram as portas fechadas “porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2,7), assim continua acontecendo para tantas famílias que não possuem, sequer, a segurança de um teto para si e seus filhos. A violência e a incerteza dos direitos mais básicos e o crescimento de um sistema que mata, rouba os sonhos de nossos jovens. A situação de abandono pelos poderes públicos e, algumas vezes, pela própria família em que se encontram nossos idosos e doentes, exige de nós conversão e solidariedade.

O Menino Deus que se revela na simplicidade e pobreza é sinal de que para encontrar a Deus é preciso fazer como os pastores fizeram naquela noite santa: “foram, pois, às pressas” (Lc 2,16). É preciso ir onde Ele está, ir ao encontro de milhões e milhões de empobrecidos e marginalizados para estender a mão e ser para esses irmãos e irmãs um pouco de luz em meio às trevas da indiferença em que estão mergulhados.

Graças ao coração misericordioso de Deus, não obstante nossas trevas resplandece a luz que dá ao Natal um sabor de esperança, pois, aos olhos de Deus ninguém é marginalizado! Peçamos, então, a graça de compreender o verdadeiro sentido do Natal. Com Maria e José, contemplemos na manjedoura o amor humilde e infinito do menino Jesus “que nasce como pão para a nossa vida” e nos convida a ser pão partido para nossos irmãos e irmãs.

Peçamos a graça de fazer a passagem “da gruta de Belém à gruta interior” que é o nosso coração. Esta é a viagem que nos leva a crescer, amar e compartilhar com os outros o dom da vida; a aprender a ver nas pessoas a grande reserva de bondade, altruísmo e generosidade que carregam dentro de si; e a nunca nos conformar com a injustiça e a violência.

Que ao comprar nossos presentes, lembremo-nos dos Reis Magos que levaram seus presentes ao Menino pobrezinho de Belém. Lembremos que o aniversário é de Jesus; lembremos que podemos encontrá-lo hoje, concretamente, nos pobres ao nosso redor. Quem sabe, abrir nossos cofres para levar um chinelo a quem está descalço; uma camisa, a quem está nu; um pão a quem está com fome... Que este Natal seja vivido não só com palavras, músicas e luzes, mas, principalmente, com atitudes concretas de cordialidade, gentileza e solidariedade para com todos(as), sobretudo, com os mais pobres.

 

Feliz Natal e um Ano Novo repleto das bênçãos de Deus!

 

 

ROQUE PALOSCHI

Bispo da Igreja que está em Porto Velho-RO