“O Santo Padre nos recorda que a Igreja está convocada a ser “advogada da Justiça e defensora dos pobres” diante das “intoleráveis desigualdades sociais e econômicas”, que “clamam ao céu”. Temos muito que oferecer, visto que “não há dúvida de que a Doutrina Social da Igreja é capaz de despertar esperança em meio às situações mais difíceis, porque, se não há esperança para os pobres, não haverá para ninguém, nem sequer para os chamados ricos”. A opção preferencial pelos pobres exige que prestemos especial atenção aos profissionais católicos que são responsáveis pelas finanças das nações, aos que fomentam o emprego, aos políticos que devem criar as condições para o desenvolvimento econômico dos países, a fim de lhes dar orientações éticas coerentes com sua fé”. (DAp, 39)

 

Nós, cristãos leigos e leigas oriundos de 17 Estados da Federação, impulsionados pelo Sacramento do Batismo, servimos a Deus e Nele assumimos nossa vocação de praticar e dar testemunho da Justiça, condição necessária para o fortalecimento da fé e da harmonia nas relações de uma sociedade organizada. Reunidos em Porto Velho, Rondônia de 15 a 18 de junho de 2017, quando da realização da XXXVI Assembleia Geral Ordinária do Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB), refletimos à Luz da Palavra de Deus, em sintonia com os documentos emanados da Igreja, em especial o Documento de Aparecida, citado acima, expressamos assim nossas inquietações:

 

Diante da constatação de práticas reprováveis, envolvendo o público e o privado, com corruptores e corrompidos, enfraquecendo as instituições e subjugando o papel do Estado;

 

Diante das intoleráveis desigualdades econômicas e sociais, agravadas por um projeto neoliberal concentrador, excludente e gerador de mazelas ambientais e sociais, fruto de um processo de desenvolvimento a qualquer custo;

 

Diante de ações desenfreadas de exclusão de direitos sociais, em especial, trabalhistas e previdenciários;

 

Diante de repetidos conflitos agrários e urbanos, de ações tendentes a retirar ainda mais terras indígenas, se não bastasse o desrespeito àquelas já demarcadas; da violência no campo e na cidade; de crimes ambientais, a exemplo do ocorrido em Mariana (MG).

 

Considerando ainda que na anormalidade das relações democráticas o grupo que chegou ao poder não apresenta projetos, tampouco compromissos com os mais necessitados e com os pobres e, se não bastasse, estampa em suas entranhas o modelo corruptivo.

 

Manifestamos:

1. O não reconhecimento ao governo que se instalou no Brasil em 2016 como legítimo;

 

2. Não reconhecemos como corretas e, tampouco legítimas, as práticas reiteradas de parcela significativa dos congressistas, contrárias aos anseios e necessidades do povo, em especial da classe trabalhadora, dos aposentados e dos excluídos, agravado com a constatação de que muitos deles envolvidos em escândalos públicos e notórios, alguns até mesmo em trâmite no Judiciário, em especial no Supremo Tribunal Federal;

 

3. Nos decepciona, nos preocupa e, por conseguinte é por nós reprovável, a postura passiva e por vezes conivente do Poder Judiciário e do Ministério Público diante do cenário atual, inclusive tolerantes com práticas abusivas e desrespeitosas de seus próprios membros.

 

E, diante desse lastimável e inaceitável contexto, convocamos os cristãos e as pessoas de bons propósitos e de boa vontade, particularmente de nossas comunidades, pastorais, movimentos, organizações, escolas e universidades a se mobilizarem, encorajados à Luz da Sagrada Escritura e com subsídios nos documentos da Igreja, em especial na Doutrina Social, a defenderem nossa Nação, através de organização e ações, buscando também a força dos grupos e segmentos organizados da sociedade rumo a alternativas concretas para restabelecer a democracia e a participação popular, que passam necessariamente pela soberania do voto direto.

 

Porto Velho (RO), 18 de junho de 2017.
CONSELHO NACIONAL DO LAICATO DO BRASIL (CNLB)

 

Fonte: CNLB