Em entrevista à Rádio Vaticano, o arcebispo de Porto Velho (RO) e presidente do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), dom Roque Paloschi, louvou e bendisse a Deus pela nota da CNBB em defesa dos direitos indígenas e do Cimi, publicada na última quinta-feira, 22 de junho. Para dom Roque foi um gesto de ternura e de carinho manifestado pelo Conselho Permanente da entidade.

 

No texto, divulgado pela Presidência da CNBB, a entidade manifestou seu “total apoio e solidariedade ao Conselho Indigenista Missionário (CIMI) diante das infundadas e injustas acusações que recebeu da Comissão Parlamentar de Inquérito, denominada CPI da Funai e Incra, encerrada no último mês de maio”. O texto continua: “A CNBB repudia o relatório desta Comissão que indicia mais de uma centena de pessoas: lideranças indígenas, antropólogos, procuradores da república e aliados da causa indígena, entre eles, missionários do Cimi”.

 

Dom Roque teve o nome colocado na primeira lista de pessoas a serem indiciadas pela CPI. Informado, afirmou que seu nome deveria ser mantido enquanto os dos outros missionários constassem no documento. Não foi ouvido. O retiraram da lista e mantiveram os outros membros do conselho. “Nós continuamos caminhando na certeza de que não são estas ameaças da Bancada alimentada pelo agronegócio e pela corrupção que o mundo inteiro está acompanhando que vai amedrontar o sonho e a esperança dos povos indígenas e de seus aliados”, disse.

 

O bispo recorda que, mesmo acusado, o Cimi não foi ouvido: “Foram requentadas as acusações infundadas da CPI do Cimi na Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul”. E ressalta: “Não é buscando amedrontar que vão interromper o caminho que a Constituição de 1988 estabeleceu para os povos originários e os povos afrodescendentes. Não se pode perder os direitos construídos a duro sacrifício”.

 

A parcialidade da CPI também foi citada pelo arcebispo, assim como na nota da CNBB. Para ele, a CPI se tornou parcial, unilateral e antidemocrática, na medida em que também alimentou a violência no campo ao longo do seu funcionamento. “Os dados das mortes e assassinatos no campo são uma demonstração palpável dos caminhos que a CPI Funai-Incra alimentou neste período”, alertou.

 

Defesa
Estarem convictos da missão que o próprio Senhor pede, de serem testemunhas Dele, de abraçarem a sua Cruz e acima de tudo, ter a certeza de que a verdade os libertará é a forma de defesa, segundo dom Roque.

 

Nem interesses ideológicos, nem por concepções, mas é o espírito do Evangelho que move o Cimi, pontuou dom Roque Paloschi. “Num país de tantos escalabros, de tantas injustiças, aonde a vida não é respeitada, sobretudo a dos pequenos, é preciso gritar. Se nós não gritarmos, as pedras vão gritar”, exortou.

 

Ao final, o presidente do Cimi pediu orações para que “verdadeiramente a Igreja no Brasil seja corajosa e destemida na defesa dos pobres e dos desvalidos destas terras”.

 

Histórico 
Em julho do ano passado, dom Roque já havia comentado sobre as perseguições que já aconteciam na CPI do Cimi, montada da Assembleia Legislativa do Mato Grosso do Sul, e que iniciavam na Câmara dos Deputados, com a CPI Funai/Incra.

 

“O Cimi vem passando por um processo de acusação, perseguições e difamação em consequência da opção que fez de ficar junto aos povos indígenas. O ataque mesmo que nós estamos sentindo no Brasil é contra os povos indígenas, para se apoderar de suas terras e, consequentemente, descontruir todo o arcabouço de direitos construídos com a Constituição de 1988”, disse à época.

 

Fonte: CNBB