Na Comemoração que a OMS adotou para assumirmos uma consciência mais abrangente e plena do que significa a saúde como estado de bem-estar físico, mental, socioambiental e espiritual, somos convidados a refletir e comprometermos com a defesa da saúde pública e nessa linha com o resgate e fortalecimento do SUS. O XIII Fórum Social em Salvador, denunciou e mostrou as claras, o processo hegemônico do capital rentista e parasita que subtrai fundos públicos para os negócios especulativos do setor privado, e nesta tendência perversa a saúde se torna mercadoria, acalentando a indústria dos planos de securitização para o consumo de quem possa pagar. Assim acontece a desoneração e renúncia fiscal das empresas que assumirem planos corporativos para seus funcionários. O SUS vem sofrendo o desmonte sistemático via a precarização e desfinanciamento de seus recursos que cada vez faltam mais, tornando unidades básicas de atendimento e hospitais incapazes de cumprir minimamente a sua função. É inaceitável e indigno conviver com a mistanásia social, com os corredores do descaso e da morte. Devemos passar do SUS vivido hoje ao SUS pensado e desejado, previsto na Constituição e nas suas leis fundantes que garantem um atendimento público, universal, igualitário como direito de cidadania a toda população brasileira. Para isso torna-se necessário avivar e recriar o sonho, que animou o movimento sanitarista e outros coletivos, junto a Pastoral da Saúde para exigir e fazer acontecer à saúde integral como direito dos cidadãos e dever do Estado. Este ano voltaremos às urnas para escolhermos o presidente, governador, senador, e deputados federais e estaduais; sem dúvida o  comprometimento dos candidatos com uma seguridade social, que invista no SUS, na Assistência Social (SUAS) e no respeito à Previdência contra toda reforma regressiva, será um dos critérios fundamentais para o apoio e discernimento, visando construir uma Democracia viva, plena e inclusiva, com a participação do povo. Nenhum passo atrás ou direito a menos, a defesa e a reconstrução do SUS como ele foi cogitado pelo grandioso mutirão popular que conseguiu esta conquista que tanto nos orgulha, seja ponto de honra para todos(as) os fiéis cristãos, que animam e enobrecem nossa Pastoral da Saúde. Para que neste Ano Nacional do Laicato, façam a diferença, caminhando juntos lado a lado, com o povo sofrido. Que a memória de tantos leigos e leigas, como Santa Giana Beretta Mola e Zilda Arns, nos impulsionem a dar o melhor de nós mesmos e que Jesus, nosso Irmão e Salvador, nos conduza sempre a testemunhar e construir na história que vivemos o seu Reino, de vida, saúde, paz e justiça para todos(as)!

Dom Roberto Francisco Ferrería Paz

Bispo Referencial da Pastoral da Saúde

 

Fonte: Pastoral da Saude CNBB