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Papa envia carta a evento internacional sobre Laudato Si e Grandes Cidades no Rio

Papa envia carta a evento internacional sobre Laudato Si e Grandes Cidades no Rio

O Papa Francisco enviou uma mensagem a todos os participantes do II Congresso Internacional Laudato Si e Grandes Cidades, aberto nesta quinta-feira, 13, no Rio de Janeiro. No texto, o Pontífice recorda a carta encíclica Laudato Si na qual faz referência a várias necessidades físicas que o homem de hoje tem nas grandes cidades e que necessitam ser afrontadas com respeito, responsabilidade e relação.   O II Congresso acontece de 13 a 15 de julho, no Rio de Janeiro, no auditório do Edifício João Paulo II, na Glória. O encontro deverá abordar as questões ecológicas e ambientais das metrópoles no planeta. A conferência terá três questões ambientais chave: água, ar e resíduos, através das quais serão apresentadas as atuais e futuras situações. A Encíclica Laudato si do Papa Francisco será utilizada como ponto inicial de discussão, com o objetivo de abordar os aspectos ambientais, sociais, éticos e de gestão associados às grandes cidades.   Com apoio da Arquidiocese do Rio, o encontro é organizado pela Fundação Antoni Gaudi para as Grandes Cidades, localizada em Barcelona, na Espanha, cujo objetivo é contribuir para a humanização dos grandes centros urbanos. A instituição nasceu logo após a Conferência Internacional das Grandes Cidades, em Barcelona e Roma, em 2015.   Motivação, objetivos e organização Cerca de 80% da população brasileira vive em grandes cidades. Tanto no Brasil como em outros países do mundo as metrópoles crescem em número e tamanho, contribuindo, diretamente, para as problemáticas que envolvem o meio ambiente. Essa é a principal motivação para a realização da conferência no Rio de Janeiro.   O caráter internacional da conferência se reflete no esboço da discussão das questões levantadas e na origem dos palestrantes, provenientes de diferentes continentes e renomados pela competência técnica, científica e social.   Pela manhã, as conferências serão dedicadas a aspectos técnicos, administrativos e éticos para a água, o ar e os resíduos, seguidas de debates entre oradores e participantes. À tarde, serão destacados os painéis de discussões sobre gerenciamento, reflexão ética e social e científico-técnico.   O primeiro deles será composto por prefeitos de diferentes países; o segundo por líderes religiosos de diferentes denominações e o terceiro por reitores de universidades de diferentes países.   Oradores e convidados O encontro contará com a presença de prefeitos das grandes cidades de diversos países, além de secretários de Meio Ambiente e Urbanismo, reitores das maiores universidades do Brasil, bem como professores, universitários e líderes religiosos de diferentes denominações.   Estarão o arcebispo do Rio, Cardeal Orani João Tempesta, o Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, o arcebispo emérito de Barcelona, Cardeal Lluís Martínez Sistach, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, o Presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, Cardeal Cláudio Hummes e o arcebispo de Brasília, Presidente da CNBB, Cardeal Sérgio da Rocha.   Íntegra da carta do papa Francisco saudando o evento A sua Eminência o Cardeal Lluis Martínez Sistach Arcebispo emérito de Barcelona Vaticano, 12 de junho de 2017.   Querido irmão, O saúdo atentamente, como também a todos os que participam do evento: Congresso Internacional “Laudato si e Grandes Cidades”.   Na Carta encíclica Laudato si faço referência a varias necessidades físicas que o homem de hoje tem nas grandes cidades e que necessitam ser afrontadas com respeito, responsabilidade e relação. São três “R” que ajudam atuar de forma conjunta diante dos imperativos mais essenciais de nossa convivência.   O respeito é a atitude fundamental que o homem há de ter com a criação. Esta a recebemos como um dom precioso e devemos esforçar-nos para que as gerações futuras possam seguir admirando-a e desfrutando-a. Este cuidado devemos ensiná-lo e transmiti-lo. São Francisco de Assis afirmava em seu Cântico às criaturas: “Louvado sejas, meu senhor, pela irmã agua, a qual é muito útil, humilde, preciosa e casta”. Nestes adjetivos se expressa a beleza e importância deste elemento, que é indispensável para a vida. Como outros elementos criados, a água potável e limpa é expressão do amor atento e providente de Deus por cada uma de suas criaturas, sendo um direito fundamental, que toda sociedade deve garantir (cf. Laudato si, 30). Quando não se lhe presta a atenção que merece, se transforma em fonte de enfermidades e sua escassez põe em perigo a vida de milhões de pessoas. É um dever de todos criar na sociedade uma consciência de respeito por nosso entorno, isto beneficia a nós e as gerações futuras.   A responsabilidade diante da criação é o modo com o qual devemos atuar com ela e constitui uma de nossas tarefas primordiais. Não podemos ficar com os braços cruzados, quando advertimos uma grave diminuição da qualidade do ar ou o aumento da produção de resíduos que não são adequadamente tratados. Essas realidades são consequência de uma forma irresponsável de manipular a criação e nos chamam a exercer uma responsabilidade ativa para o bem de todos. Além disso, comprovamos uma indiferença diante da nossa casa comum e, lamentavelmente, diante de tantas tragédias e necessidades que golpeiam a nossos irmãos e irmãs. Essa passividade demostra a “perda daquele sentido de responsabilidade pelos nossos semelhantes sobre a qual se funda toda a sociedade civil” (Laudato si, 25). Cada território e governo deveria incentivar modos de atuar responsáveis em seus cidadãos para que, com criatividade, possam atuar e favorecer a criação de uma casa mais habitável e mais saudável. Colocando cada um o pouco que lhe corresponde em sua responsabilidade, se estará ganhando muito.   Se observa nas grandes cidades, como também nas zonas rurais, uma crescente falta de relação. Com independência da causa que o produz, o fluxo constante de pessoas gera uma sociedade mais plural, multicultural, que é um bem, produz riqueza e crescimento social e pessoal; porém, também faz que esta sociedade seja cada vez mais fechada e desconfiada. A falta de raízes e o isolamento de algumas pessoas são formas de pobreza, que podem degenerar em guetos e originar violência e injustiça. Contudo, o homem está chamado a amar e ser amado, estabelecendo vínculos de pertença e laços de unidade entre todos os seus semelhantes. É importante que a sociedade trabalhe conjuntamente em âmbito político, educativo e religioso para criar relações humanas mais cálidas, que derrubem os muros que isolam e marginam. Isto se pode conseguir através de grupos, escolas, paróquias, etc., que sejam capazes de construir com sua presença uma rede de comunhão e de pertença, para favorecer uma melhor convivência e conseguir superar tantas dificuldades. Dessa maneira, “qualquer lugar deixa de ser um inferno e se converte no contexto de uma vida digna” (Laudato si, 149).   Peço a intercessão da Virgem Santa, Rainha do céu e da terra, por essas jornadas de estudo e de reflexão. Que seu conselho e guia oriente suas decisões em favor de uma ecologia integral que proteja nossa casa comum e construa uma civilização cada vez mais humana e solidaria.   Por favor, lhes peço que rezem por mim e peço ao Senhor que vos abençõe. Francisco   Fonte: CNBB
Papa Francisco lança Mensagem para o Dia Mundial dos Pobres

Papa Francisco lança Mensagem para o Dia Mundial dos Pobres

Foi publicada, no 13 de junho, no Vaticano, a Mensagem do Papa para o Primeiro Dia Mundial dos Pobres, que tem como tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”.   O Dia Mundial dos Pobres foi instituído por Francisco, na conclusão do Ano Santo extraordinário da Misericórdia, com uma Carta Apostólica intitulada “Misericórdia e mísera”. A celebração, sinal concreto do Ano Jubilar, se realizará no 33° Domingo do Tempo Comum, que este ano cai em 19 de novembro.   O Papa inicia sua Mensagem, com a citação evangélica do tema central: “Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade”.   Estas palavras do apóstolo São João – diz Francisco – são um imperativo do qual nenhum cristão pode prescindir. A importância do mandamento de Jesus, transmitido pelo “discípulo amado” até aos nossos dias, tem pleno sentido diante das palavras vazias que saem da nossa boca.   O amor não admite álibis: quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres. Aliás, é bem conhecida a forma de amar do Filho de Deus: “Ele nos amou primeiro, a ponto de dar a sua vida por nós”.   Deste modo, a misericórdia, que brota do coração da Trindade, se concretiza e gera compaixão e obras de misericórdia pelos irmãos e irmãs mais necessitados.   Neste sentido, o Santo Padre fez diversas referências da vida de Jesus, que ecoou, desde o início, na primeira Comunidade eclesial, que assumiu a assistência e o serviço aos pobres, com base no ensinamento do Mestre, que proclamou os pobres “bem-aventurados e herdeiros do Reino dos Céus”.   Contudo, aconteceu que alguns cristãos não deram a devida atenção a este apelo, deixando-se contagiar pela mentalidade mundana. Mas, o Espírito Santo soprou sobre muitos homens e mulheres que, de várias formas, dedicaram toda a sua vida ao serviço dos pobres.   O Papa recordou que, nestes Dois mil anos, numerosas páginas da história foram escritas por cristãos que, com simplicidade e humildade, se colocaram a serviço dos seus irmãos mais pobres.   Aqui, citou alguns nomes que mais se destacaram na caridade, como São Francisco de Assis, testemunha viva de uma pobreza genuína.   O Santo Padre lembra que, para os cristãos, discípulos de Cristo, a pobreza é, antes de tudo, uma vocação; é seguir Jesus pobre; é o metro para avaliar o uso correto dos bens materiais.   O nosso mundo, muitas vezes, não consegue identificar a pobreza dos nosso dias, com suas trágicas consequências: sofrimento, marginalização, opressão, violência, torturas, prisão, guerra, privação da liberdade e da dignidade, ignorância, analfabetismo, enfermidades, desemprego, tráfico de pessoas, escravidão, exílio e miséria. A pobreza é fruto da injustiça social, da miséria moral, da avidez de poucos e da indiferença generalizada!   Diante deste cenário, não se pode permanecer inertes e resignados, afirmou Francisco. Todos estes pobres – como dizia o Beato Paulo VI – pertencem à Igreja por “direito evangélico” e a obriga à sua opção fundamental.   Por isso, o Papa conclui sua Mensagem para o Dia Mundial dos Pobres convidando toda a Igreja a fixar seu olhar, neste dia, a todos os estendem suas mãos invocando ajuda e solidariedade.   Que este Dia sirva de estímulo para reagir à cultura do descarte, do desperdício e da exclusão e a assumir a cultura do encontro, com gestos concretos de oração e de caridade, para uma maior evangelização no mundo. Os pobres – diz por fim Francisco – não são um problema, mas “um recurso para acolher e viver a essência do Evangelho”. (MT)   Fonte: Rádio Vaticano   Leia a Mensagem no site oficial da Santa Sé