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Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2017

Mensagem do papa Francisco para o Dia Mundial das Missões 2017

O Mês das Missões, tradicionalmente vivenciado no mês de outubro, é um período de intensificação das iniciativas de animação e cooperação missionária em todo o mundo. Para este ano as Pontifícias Obras Missionárias (POM) escolheu como tema “A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída” com inspiração vinda do convite do papa Francisco na Evangelli Gaudium. A Coleta no Dia Mundial das Missões, penúltimo domingo de outubro (este ano dia 22), conforme instituído pelo papa Pio XI em 1926, é também momento solidário de todo povo de Deus, e para este dia, o papa Francisco dirige sua mensagem, confira a íntegra: MENSAGEM DE SUA SANTIDADE PAPA FRANCISCO  PARA O DIA MUNDIAL DAS MISSÕES 2017 A missão no coração da fé cristã Queridos irmãos e irmãs! O Dia Mundial das Missões concentra-nos, também este ano, na pessoa de Jesus, «o primeiro e maior evangelizador» (Paulo VI, Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 7), que incessantemente nos envia a anunciar o Evangelho do amor de Deus Pai, com a força do Espírito Santo. Este Dia convida-nos a refletir novamente sobre a missão no coração da fé cristã. De facto a Igreja é, por sua natureza, missionária; se assim não for, deixa de ser a Igreja de Cristo, não passando duma associação entre muitas outras, que rapidamente veria exaurir-se a sua finalidade e desapareceria. Por isso, somos convidados a interrogar-nos sobre algumas questões que tocam a própria identidade cristã e as nossas responsabilidades de crentes, num mundo baralhado com tantas quimeras, ferido por grandes frustrações e dilacerado por numerosas guerras fratricidas, que injustamente atingem sobretudo os inocentes. Qual é o fundamento da missão? Qual é o coração da missão? Quais são as atitudes vitais da missão? A missão e o poder transformador do Evangelho de Cristo, Caminho, Verdade e Vida 1. A missão da Igreja, destinada a todos os homens de boa vontade, funda-se sobre o poder transformador do Evangelho. Este é uma Boa Nova portadora duma alegria contagiante, porque contém e oferece uma vida nova: a vida de Cristo ressuscitado, o qual, comunicando o seu Espírito vivificador, torna-Se para nós Caminho, Verdade e Vida (cf. Jo 14, 6). É Caminho que nos convida a segui-Lo com confiança e coragem. E, seguindo Jesus como nosso Caminho, fazemos experiência da sua Verdade e recebemos a sua Vida, que é plena comunhão com Deus Pai na força do Espírito Santo, liberta-nos de toda a forma de egoísmo e torna-se fonte de criatividade no amor. 2. Deus Pai quer esta transformação existencial dos seus filhos e filhas; uma transformação que se expressa como culto em espírito e verdade (cf. Jo 4, 23-24), ou seja, numa vida animada pelo Espírito Santo à imitação do Filho Jesus para glória de Deus Pai. «A glória de Deus é o homem vivo» (Ireneu, Adversus haereses IV, 20, 7). Assim, o anúncio do Evangelho torna-se palavra viva e eficaz que realiza o que proclama (cf. Is 55, 10-11), isto é, Jesus Cristo, que incessantemente Se faz carne em cada situação humana (cf. Jo 1, 14). A missão e o kairós de Cristo 3. Por conseguinte, a missão da Igreja não é a propagação duma ideologia religiosa, nem mesmo a proposta duma ética sublime. No mundo, há muitos movimentos capazes de apresentar ideais elevados ou expressões éticas notáveis. Diversamente, através da missão da Igreja, é Jesus Cristo que continua a evangelizar e agir; e, por isso, aquela representa o kairós, o tempo propício da salvação na história. Por meio da proclamação do Evangelho, Jesus torna-Se sem cessar nosso contemporâneo, consentindo à pessoa que O acolhe com fé e amor experimentar a força transformadora do seu Espírito de Ressuscitado que fecunda o ser humano e a criação, como faz a chuva com a terra. «A sua ressurreição não é algo do passado; contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição. É uma força sem igual» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 276). 4. Lembremo-nos sempre de que, «ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo» (Bento XVI, Carta. enc. Deus caritas est, 1). O Evangelho é uma Pessoa, que continuamente Se oferece e, a quem A acolhe com fé humilde e operosa, continuamente convida a partilhar a sua vida através duma participação efetiva no seu mistério pascal de morte e ressurreição. Assim, por meio do Batismo, o Evangelho torna-se fonte de vida nova, liberta do domínio do pecado, iluminada e transformada pelo Espírito Santo; através da Confirmação, torna-se unção fortalecedora que, graças ao mesmo Espírito, indica caminhos e estratégias novas de testemunho e proximidade; e, mediante a Eucaristia, torna-se alimento do homem novo, «remédio de imortalidade» (Inácio de Antioquia, Epistula ad Ephesios, 20, 2). 5. O mundo tem uma necessidade essencial do Evangelho de Jesus Cristo. Ele, através da Igreja, continua a sua missão de Bom Samaritano, curando as feridas sanguinolentas da humanidade, e a sua missão de Bom Pastor, buscando sem descanso quem se extraviou por veredas enviesadas e sem saída. E, graças a Deus, não faltam experiências significativas que testemunham a força transformadora do Evangelho. Penso no gesto daquele estudante «dinka» que, à custa da própria vida, protege um estudante da tribo «nuer» que ia ser assassinado. Penso naquela Celebração Eucarística em Kitgum, no norte do Uganda – então ensanguentado pelas atrocidades dum grupo de rebeldes –, quando um missionário levou as pessoas a repetirem as palavras de Jesus na cruz: «Meu Deus, meu Deus, porque Me abandonaste?» (Mc 15, 34), expressando o grito desesperado dos irmãos e irmãs do Senhor crucificado. Aquela Celebração foi fonte de grande consolação e de muita coragem para as pessoas. E podemos pensar em tantos testemunhos – testemunhos sem conta – de como o Evangelho ajuda a superar os fechamentos, os conflitos, o racismo, o tribalismo, promovendo por todo o lado a reconciliação, a fraternidade e a partilha entre todos. A missão inspira uma espiritualidade de êxodo, peregrinação e exílio contínuos 6. A missão da Igreja é animada por uma espiritualidade de êxodo contínuo. Trata-se de «sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 20). A missão da Igreja encoraja a uma atitude de peregrinação contínua através dos vários desertos da vida, através das várias experiências de fome e sede de verdade e justiça. A missão da Igreja inspira uma experiência de exílio contínuo, para fazer sentir ao homem sedento de infinito a sua condição de exilado a caminho da pátria definitiva, pendente entre o «já» e o «ainda não» do Reino dos Céus. 7. A missão adverte a Igreja de que não é fim em si mesma, mas instrumento e mediação do Reino. Uma Igreja autorreferencial, que se compraza dos sucessos terrenos, não é a Igreja de Cristo, seu corpo crucificado e glorioso. Por isso mesmo, é preferível «uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças» (Ibid., 49). Os jovens, esperança da missão 8. Os jovens são a esperança da missão. A pessoa de Jesus e a Boa Nova proclamada por Ele continuam a fascinar muitos jovens. Estes buscam percursos onde possam concretizar a coragem e os ímpetos do coração ao serviço da humanidade. «São muitos os jovens que se solidarizam contra os males do mundo, aderindo a várias formas de militância e voluntariado. (...) Como é bom que os jovens sejam “caminheiros da fé”, felizes por levarem Jesus Cristo a cada esquina, a cada praça, a cada canto da terra!» (Ibid., 106). A próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que terá lugar em 2018 sobre o tema «Os jovens, a fé e o discernimento vocacional», revela-se uma ocasião providencial para envolver os jovens na responsabilidade missionária comum, que precisa da sua rica imaginação e criatividade. O serviço das Obras Missionárias Pontifícias 9. As Obras Missionárias Pontifícias são um instrumento precioso para suscitar em cada comunidade cristã o desejo de sair das próprias fronteiras e das próprias seguranças, fazendo-se ao largo a fim de anunciar o Evangelho a todos. Através duma espiritualidade missionária profunda vivida dia-a-dia e dum esforço constante de formação e animação missionária, envolvem-se adolescentes, jovens, adultos, famílias, sacerdotes, religiosos e religiosas, bispos para que, em cada um, cresça um coração missionário. Promovido pela Obra da Propagação da Fé, o Dia Mundial das Missões é a ocasião propícia para o coração missionário das comunidades cristãs participar, com a oração, com o testemunho da vida e com a comunhão dos bens, na resposta às graves e vastas necessidades da evangelização. Fazer missão com Maria, Mãe da evangelização 10. Queridos irmãos e irmãs, façamos missão inspirando-nos em Maria, Mãe da evangelização. Movida pelo Espírito, Ela acolheu o Verbo da vida na profundidade da sua fé humilde. Que a Virgem nos ajude a dizer o nosso «sim» à urgência de fazer ressoar a Boa Nova de Jesus no nosso tempo; nos obtenha um novo ardor de ressuscitados para levar, a todos, o Evangelho da vida que vence a morte; interceda por nós, a fim de podermos ter uma santa ousadia de procurar novos caminhos para que chegue a todos o dom da salvação. Vaticano, 4 de junho – Solenidade de Pentecostes – de 2017.
CELAM: dom Roque Paloschi participa do VI Simpósio Latino-Americano de Teologia Índia em Assunção-Paraguai

CELAM: dom Roque Paloschi participa do VI Simpósio Latino-Americano de Teologia Índia em Assunção-Paraguai

Com uma conferência de imprensa na sede da Conferência Episcopal do Paraguai (CEP) na segunda-feira, 18 de setembro, foi iniciado o VI Simpósio de Teologia Índia, na cidade de Assunção, no Paraguai. A cerimônia de abertura deste VI Simpósio foi realizada na sede do evento, a Casa de Espiritualidade de Emaús, da arquidiocese de Assunção, localizada em Luque-Paraguai. Há 50 participantes, delegados das diferentes Conferências Episcopais do subcontinente, entre eles estão monsenhor Edmundo Valenzuela sdb, arcebispo de Assunção; mons. Juan Espinoza, Secretário Geral do CELAM (Conselho Episcopal Latino-Americano); dom Felipe Arizmendi, bispo de San Cristóbal de las Casas, Chiapas-México; arcebispo Lucio Alfert Omi, Vigário Apostólico de Pilcomayo no Chaco-Paraguai; mons. Roque Paloschi, arcebispo de Porto Velho, Brasil; mgr Medardo Henao mxy, Vigário Apostólico de Mitu, Colômbia; dom Gabriel Montero ofmconv, bispo de San Isidro - Costa Rica; dom Álvaro Ramazzini, bispo de Huehetenango, Guatemala; dom Antonio Calderón, bispo de Jutiapa, Guatemala e mons. Gerard Anton Zerdin ofm, Vigário Apostólico de San Ramón, Peru. Como delegado da Congregação para a Doutrina da Fé, participa o padre Mario Ángel Florez, reitor da Pontifícia Universidade Católica do México. Os participantes são especialistas, teólogos, pastores e agentes pastorais entre os povos nativos. Eles vêm de doze países: México, Guatemala, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Equador, Peru, Bolívia, Argentina, Chile, Brasil e Paraguai. O objetivo geral do sexto Simpósio é "continuar o caminho do aprofundamento dos conteúdos doutrinais da teologia índia, para avançar seu esclarecimento à luz da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja". O tema para este ano é "Trindade, Família e Povos Indígenas" e continua a linha de reflexão sobre as verdades da fé, desenvolvidas desde os cinco Simpósios anteriores.   Fonte: CELAM