Violência contra a juventude, os negros, as mulheres foram alguns aspectos citados no lançamento da campanha da fraternidade nesta quarta feira. "não a uma cultura de exclusão" é o grito do mais pobres. 

Confira o texto na íntegra: 

COLETIVA DE IMPRENSA – 14 DE FEVEREIRO DE 2018
 

A campanha da fraternidade deste ano indica como objetivo geral construir a fraternidade, promovendo a cultura da paz, da reconciliação e da justiça, à luz da palavra de Deus, como caminho de superação da violência.

Superar a violência tarefa tão urgente, visto os números estarrecedores que assolam o nosso País: estamos assistindo a uma guerra aos pedaços, uma verdadeira epidemia de homicídios; em cinco anos morreram mais pessoas de morte violenta no Brasil do que no conflito armado na Síria no mesmo período. Cinco pessoas são mortas por arma de fogo a cada hora. Esta taxa tem triplicado nos últimos trinta anos. A violência não atinge indiscriminadamente a população como um todo, mas, sobretudo os jovens entre 15 a 24 anos, sendo o 54% das vitimas, e os negros, o 73%.

Em nível mundial, o Brasil detém uma posição de destaque entre os países com as taxas mais altas de feminicídio. O lar, longe de oferecer aconchego e segurança, é o lugar onde mais a mulher sofre violência, seja ela física, sexual, moral, psicológica ou patrimonial.

Contudo, estes dados de violência direta são somente a ponta do iceberg de uma violência mais profunda, estrutural e institucional, que afunda as suas raízes na história do Brasil colônia e que alastra os seus galhos no dia de hoje na sempre crescente desigualdade social, na omissão do poder público, no tratamento seletivo dos três poderes. Numa visão que transcende as fronteiras nacionais, e fazendo nossas as palavras do papa Francisco, percebemos que o sistema capitalista, a economia neoliberal mata. Junto com ele, dizemos “não a uma economia de exclusão”!

 A campanha da fraternidade 2018 pode ser uma ocasião única para refletir sobre a violência como “cultura”, entendendo com isso a incapacidade ou dificuldade da sociedade de identificar e reconhecer como violentos atos em que indivíduos ou grupos são agredidos. A violência cultural, perpassando a nossa maneira de falar, de pensar, de agir, legitima certas ações violentas, naturalizando-as e em última instância nos tornando indiferentes às mesmas.

É preciso, portanto, trabalhar para construir uma cultura de paz, em todos os níveis, individual comunitário e social, fazendo com que a pergunta de Deus “onde está o teu irmão, a tua irmã?” nos inquiete e esteja sempre viva em nós.

A não violência é um estilo de vida para pessoas corajosas, como foram os mártires da nossa terra. Assim disse numa das suas homilias padre Ezequiel Ramin, poucos meses antes de ser assassinado: “não aprovamos a violência, mesmo sendo vitimas da violência. Somos irmãos na boa e na má sorte, mas irmãos. Assim devemos aprender a ser, e em nenhum outro modo”.

Que o seu exemplo, e o de tantos outros e outras, possa nos impulsionar para trilhar este caminho de justiça, paz e reconciliação, podendo por fim exclamar todos juntos e juntas: “Nós somos todos irmãos!”

ir Chiara Dusi

Congregação Irmãs Missionárias Combonianas

 

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Fonte: PASCOM Arquidocese de Porto Velho