Porto Velho, 23 de agosto de 2026
4º Domingo do Mês Vocacional
Vocação dos Leigos e Leigas
Na Igreja de Cristo, nenhuma vocação existe para si mesma. Todas são dons do Espírito Santo para a edificação da comunidade e para a missão. Quando cada vocação é acolhida, valorizada e vivida com fidelidade, toda a Igreja cresce e o Evangelho alcança mais corações.
Queridos irmãos e irmãs, Paz e Bem!
Neste quarto domingo do Mês Vocacional, damos graças a Deus pela vocação dos leigos e leigas, chamados a ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16), testemunhando o Evangelho nos diversos ambientes da sociedade.
Nossa Igreja é chamada a crescer sempre mais como uma Igreja sinodal, onde todos caminham juntos, escutando o Espírito Santo e colocando seus dons a serviço da missão. Isso exige superar toda forma de clericalismo, que empobrece a vida eclesial ao concentrar responsabilidades e diminuir a riqueza dos diversos carismas suscitados por Deus. Como tantas vezes recordou o Papa Francisco, o clericalismo impede o amadurecimento da vocação laical e enfraquece o dinamismo missionário da Igreja.
Os cristãos leigos e leigas não são simples colaboradores do clero nem ocupam um lugar secundário na comunidade. Pelo Batismo, receberam uma verdadeira vocação missionária e são chamados a ser presença do Evangelho nas famílias, nas escolas, nas universidades, no mundo do trabalho, na política, na economia, na cultura e em todos os ambientes onde a Igreja, muitas vezes, só pode chegar por meio deles. A missão própria dos leigos é santificar as realidades temporais, fazendo resplandecer nelas a luz do Reino de Deus.
Nossa Igreja no Brasil recorda, no Documento 105 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que os cristãos leigos e leigas são “sal da terra e luz do mundo”, discípulos missionários enviados para transformar a realidade à luz do Evangelho. Sua missão não se limita às atividades internas da comunidade eclesial, mas se estende a toda a vida social, promovendo a justiça, a fraternidade, a paz e o cuidado com a Casa Comum.
Em nossa Arquidiocese, queremos renovar o compromisso de construir comunidades cada vez mais participativas, corresponsáveis e ministeriais, onde cada vocação seja reconhecida e valorizada. Uma Igreja verdadeiramente sinodal não pergunta apenas “quem pode ajudar o padre?”, mas procura discernir quais dons o Espírito Santo concedeu ao seu povo para a edificação do Corpo de Cristo e para a transformação da sociedade.
Vivemos tempos que exigem cristãos maduros na fé, capazes de unir oração, formação e compromisso social. O mundo necessita de homens e mulheres cuja vida seja um testemunho coerente do Evangelho, promovendo a cultura do encontro, defendendo a dignidade humana e cuidando da criação que Deus nos confiou.
Peçamos ao Espírito Santo que fortaleça todos os leigos e leigas de nossa Arquidiocese, para que perseverem com alegria em sua missão e continuem sendo presença transformadora nos lugares onde vivem e trabalham.
Que Deus vos abençoe.
Dom Roque Paloschi
Arcebispo de Porto Velho