Porto Velho, quinta, 08 de outubro de 2026

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08/10/2026 .

Deus nos convida para festa da vida – Reflexão para 28º Domingo do Tempo Comum (Ano A)

A liturgia deste 28º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante de uma imagem cheia de significado: Deus prepara uma mesa e convida nos convida para a festa da vida.

Na primeira leitura, Isaías 25,6-10a anuncia que Deus preparará um grande banquete para todos os povos. Não será uma festa reservada para alguns, mas uma mesa aberta, onde Deus deseja reunir seus filhos, enxugar suas lágrimas e vencer tudo aquilo que causa sofrimento.

Essa imagem aparece também no Salmo 22(23): “Preparais à minha frente uma mesa”. O Deus anunciado por Isaías é o mesmo Deus que o salmista reconhece como Pastor. Ele conduz, alimenta, fortalece e acompanha seu povo, mesmo quando atravessa os vales escuros da vida. É importante perceber isso: Deus não promete uma vida sem dificuldades, mas promete nunca nos abandonar. Podemos passar por momentos difíceis, mas não caminhamos sozinhos. O Pastor está conosco.

Na segunda leitura, São Paulo, escrevendo aos Filipenses, diz que aprendeu a viver tanto na abundância como na necessidade. Ele descobriu que sua segurança não estava nas circunstâncias, mas em Cristo. Por isso afirma: “Tudo posso naquele que me dá força”. Essa frase não significa que podemos fazer tudo o que quisermos. Significa que, unidos a Cristo, podemos enfrentar as diferentes situações da vida sem perder a fé e a esperança.

E chegamos ao Evangelho de Mateus 22,1-14. Jesus conta a parábola de um rei que prepara a festa de casamento de seu filho e manda chamar os convidados. A festa está pronta. A mesa está preparada. Tudo está sendo oferecido. Mas alguns não querem ir. E aqui podemos fazer uma pergunta: por que alguém recusaria um convite para uma festa?

O Evangelho apresenta algumas respostas. Um foi para o campo, outro para os seus negócios. Não estavam necessariamente fazendo coisas erradas. O problema é que estavam tão ocupados com outras coisas que não encontraram tempo para Deus. Também nós podemos cair nessa situação. Podemos estar tão ocupados com o trabalho, os compromissos, as preocupações, os projetos e os problemas do dia a dia que, pouco a pouco, deixamos de perceber os convites que Deus nos faz.

Às vezes, Deus prepara a mesa, mas estamos ocupados demais para sentar. A parábola nos lembra que o Reino de Deus é um convite para a comunhão, para a alegria e para uma vida nova. Deus não quer apenas pessoas que cumpram obrigações. Ele deseja filhos e filhas que aceitem seu convite, experimentem sua misericórdia e também ajudem a preparar a mesa para os outros.

Por isso, o rei manda seus empregados para as encruzilhadas e diz: “Convidai para a festa todos os que encontrardes”. Essa palavra fala muito da missão da Igreja. A Igreja precisa ter um coração aberto. A mesa de Deus não pode ser uma mesa fechada. Há lugar para quem está chegando, para quem se afastou, para quem está ferido, para quem procura um sentido para a vida e para quem deseja recomeçar.

Aqui podemos fazer uma ligação muito bonita com o caminho que a Igreja no Brasil é chamada a percorrer por meio das novas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora 2026-2032, Documento 114 da CNBB. As Diretrizes apresentam a imagem da “tenda do encontro”, lembrando-nos de uma Igreja que precisa alargar seus espaços, acolher, escutar, caminhar com as pessoas e sair em missão.

Isso combina profundamente com o Evangelho de hoje. O rei manda seus empregados pelas encruzilhadas e diz: “Convidai para a festa todos os que encontrardes”. A Igreja não pode ser uma comunidade de portas fechadas. Deve ser uma comunidade que prepara a mesa, acolhe as pessoas e oferece lugar, sentido e esperança.

Deus prepara a mesa; a Igreja é chamada a ajudar a reunir os convidados. Por isso, evangelizar não significa apenas esperar que as pessoas venham até nós. Significa também sair ao encontro, aproximar-se, escutar, acolher e anunciar.

Há muitas pessoas nas “encruzilhadas” da vida. Algumas estão feridas, outras desanimadas. Algumas se afastaram da Igreja. Outras estão procurando um sentido para viver. O Senhor nos envia até elas para dizer: há um lugar para você na mesa de Deus.

As novas Diretrizes nos recordam o chamado a uma Igreja sinodal e missionária, uma Igreja que escuta, participa, acolhe e caminha com as pessoas. E o Evangelho de hoje nos faz uma pergunta muito concreta: a nossa comunidade está sendo realmente uma mesa aberta, onde as pessoas encontram Cristo, fraternidade e esperança?

Mas o Evangelho também fala de um homem que entrou na festa sem a veste adequada. Essa parte da parábola nos lembra que aceitar o convite de Deus exige também uma transformação interior. Não basta entrar na casa. É preciso permitir que a experiência de Deus transforme nossa vida.

A veste da festa pode representar essa vida nova que nasce da fé, da conversão, do amor e da misericórdia. Deus nos acolhe como somos, mas seu amor não nos deixa como estamos.

As leituras de hoje nos convidam, portanto, a aceitar o convite de Deus, sem permitir que as preocupações da vida nos afastem daquilo que realmente importa. Somos chamados também a confiar no Pastor, porque, mesmo quando atravessarmos momentos difíceis, podemos dizer com o salmista: “Não temerei, pois estais comigo”.

Somos ainda convidados a ajudar a preparar a mesa para os outros. Quem experimenta o amor de Deus não pode guardar essa experiência somente para si. Torna-se também instrumento de acolhida, esperança e fraternidade.

A primeira leitura nos apresenta um Deus que enxuga nossas lágrimas. O Salmo nos apresenta um Pastor que nos conduz. São Paulo nos mostra uma fé capaz de permanecer firme em qualquer circunstância. E Jesus nos revela um Deus que prepara uma festa e chama todos para participar.

Tudo isso nos ajuda a compreender a missão da Igreja: ser uma comunidade que acolhe, escuta, anuncia e envia. Uma comunidade que não guarda a mesa apenas para aqueles que já estão dentro, mas que vai ao encontro das pessoas pelas estradas da vida, pelas casas, pelas famílias, pelos ambientes de trabalho e pelas periferias humanas, levando o convite de Deus.

A mesa está preparada. O convite foi feito. A pergunta é: vamos aceitar?

E depois de aceitar, vem outra responsabilidade: vamos ajudar outras pessoas a descobrir que também foram convidadas? Que não sejamos pessoas tão ocupadas com as coisas da vida que não tenhamos tempo para Deus. Que saibamos reconhecer seus convites, sentar à sua mesa, alimentar-nos de sua Palavra e de sua graça e, depois, sair ao encontro daqueles que ainda não descobriram que também existe um lugar para eles na festa do Reino.

Que nossa comunidade seja cada vez mais essa tenda do encontro: uma Igreja de portas abertas, coração acolhedor e espírito missionário. Porque, no coração de Deus, sempre há lugar para mais um.

E que nossa vida possa ser uma resposta ao convite do Senhor: “Eis-me aqui, Senhor. Quero participar da tua festa, quero permanecer contigo e quero ajudar a levar outros para a tua mesa”.

Pe. Geraldo Siqueira de Almeida
08 de outubro de 2026

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