A liturgia da Palavra deste 21º Domingo do Tempo Comum nos coloca diante de uma pergunta decisiva de Jesus: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Não é uma pergunta apenas sobre conhecimento ou opinião. Jesus quer saber o que significa, para cada um de nós, a sua presença em nossa vida.
No Evangelho de hoje (Mt 16,13-20), primeiro, Jesus pergunta aos discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?” Eles apresentam várias respostas: João Batista, Elias, Jeremias ou algum dos profetas. O povo reconhecia que Jesus era alguém especial, mas ainda não havia chegado ao centro da fé.
Então, Jesus dirige a pergunta aos próprios discípulos: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Pedro responde em nome de todos: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.”
Aqui está o centro do Evangelho. Pedro reconhece que Jesus não é apenas um profeta, um mestre ou alguém admirável. Jesus é o Messias, o Filho do Deus vivo. É sobre essa fé que se constrói a vida cristã e a própria Igreja.
Jesus, porém, deixa claro que essa descoberta não é apenas fruto da capacidade humana: “Não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.” A fé é dom de Deus. Por isso, precisamos pedir continuamente a graça de conhecer Jesus, confiar nele e colocar nossa vida em suas mãos.
Depois da profissão de fé de Pedro, Jesus lhe confia uma missão: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja.” E acrescenta: “Eu te darei as chaves do Reino dos Céus.”
Essa imagem das chaves nos ajuda a compreender o sentido da autoridade na Igreja. A primeira leitura (Is 22,19-23) apresenta uma imagem semelhante. Deus confia a Eliacim a chave da casa de Davi e lhe entrega uma responsabilidade em favor do povo.
Portanto, a chave não é símbolo de privilégio, mas de responsabilidade e serviço. Quem recebe uma missão deve cuidar das pessoas que lhe foram confiadas.
Isso vale para todos os serviços na Igreja: bispos, padres, diáconos, religiosos, catequistas, ministros, coordenadores, membros dos conselhos e agentes de pastoral. Toda autoridade na Igreja deve ser exercida como serviço. Quanto maior a responsabilidade, maior deve ser a humildade, a disponibilidade e o compromisso com o bem dos outros.
O Evangelho também nos lembra algo essencial: a Igreja é de Cristo. Jesus não diz: “construirei a minha Igreja” como quem entrega uma obra aos homens, mas afirma: “Edificarei a minha Igreja.” Cristo é o fundamento, o centro e o Senhor da Igreja.
Por isso, nossas pastorais, movimentos, reuniões, projetos e atividades só têm sentido quando nos conduzem a Jesus Cristo. Podemos fazer muitas coisas na Igreja e, mesmo assim, correr o risco de perder o essencial. A pergunta de Jesus precisa permanecer diante de nós: “E vós, quem dizeis que eu sou?”
Essa pergunta também precisa chegar ao coração de cada cristão:
Quem é Jesus para mim?
É apenas alguém que admiro? Um personagem importante da história? Ou é verdadeiramente o Senhor da minha vida?
A resposta não aparece apenas em nossas palavras. Ela aparece em nossas escolhas, em nosso modo de tratar as pessoas, na maneira como perdoamos, servimos, acolhemos e enfrentamos as dificuldades. Nossa vida precisa confirmar a fé que professamos com os lábios.
A segunda leitura (Rm 11,33-36) nos coloca diante da grandeza do mistério de Deus. São Paulo exclama: “Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência de Deus!” Diante de Deus, somos chamados à humildade. Nem sempre compreendemos seus caminhos, mas podemos confiar naquele que conduz a história.
E Paulo nos oferece uma síntese muito bonita: “Tudo é dele, por ele e para ele.”
Essa palavra também deve orientar nossa vida cristã. Tudo começa em Deus, tudo recebe dele a graça e tudo deve conduzir para ele. Quando servimos na Igreja, não devemos buscar prestígio, reconhecimento ou protagonismo. Nosso serviço não é para nós mesmos. É para Cristo e para o seu povo.
O Salmo (137/138) nos ajuda a rezar essa confiança: “Ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Completai em mim a obra começada!”
Deus começou uma obra em cada um de nós. Ainda temos muito a crescer, muitas coisas a transformar e muitos caminhos a percorrer. Mas podemos confiar: Deus não abandona a obra que começou.
Jesus também nos assegura que “o poder do inferno nunca poderá vencê-la.” A Igreja passa por dificuldades, crises e momentos de sofrimento, mas não caminha sozinha. Cristo permanece com sua Igreja. Por isso, não podemos viver a fé com medo ou desânimo. Somos chamados à esperança, à comunhão e à missão.
E essa missão precisa produzir frutos concretos. Professar que Jesus é o Messias significa viver segundo o seu Evangelho: amar, perdoar, servir, acolher, promover a justiça e cuidar especialmente dos mais frágeis.
Neste domingo, Jesus nos convida, portanto, a renovar nossa profissão de fé. Ele pergunta também a cada um de nós:
“E vós, quem dizeis que eu sou?”
Que nossa resposta seja a de Pedro:
“Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.”
Mas que essa resposta não fique somente em nossos lábios. Que ela apareça em nossa maneira de viver. Se Jesus é realmente o Senhor, então nossa vida precisa ser uma resposta de fé, amor e serviço.
Neste fim de semana, celebramos também o Dia do Catequista. É uma ocasião para agradecer a Deus por todos aqueles que assumem a missão de ajudar crianças, jovens e adultos a conhecer Jesus Cristo e crescer na fé.
O catequista realiza um serviço fundamental na Igreja: transmite a fé, acompanha processos de crescimento e ajuda outras pessoas a fazerem um verdadeiro encontro com Cristo.
Como dizia o Papa Francisco, “o catequista é aquele que guarda e alimenta a memória de Deus; guarda-a em si mesmo e sabe despertá-la nos outros.”
Por isso, queremos expressar nossa gratidão a todos os catequistas. Que Deus renove sua vocação, fortaleça sua missão e lhes conceda sabedoria, paciência e alegria para anunciar o Evangelho.
Que Nossa Senhora, mulher de fé e servidora do Senhor, nos ajude a permanecer firmes em Cristo.
E que possamos rezar juntos:
“Ó Senhor, vossa bondade é para sempre! Completai em mim a obra começada.”
Amém.
Pe. Geraldo Siqueira Almeida
22 de agosto de 2026