Queridos irmãos e irmãs,
Paz e Bem!
Nestes dias em que nossas ruas se enchem de cores, música e celebração, muitos se perguntam: como nós, cristãos, devemos viver o Carnaval?
Recordando o testemunho profético de Dom Hélder Câmara, aprendemos que a cultura popular é expressão legítima da alma do povo. Dizia ele:
Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Brinque, meu povo querido! Minha gente queridíssima. É verdade que na quarta-feira a luta recomeça, mas ao menos se pôs um pouco de sonho na realidade dura da vida!
Dom Helder Câmara nos ensinava que os sonhos partilhados podem transformar a realidade. Também nas festas populares, o povo manifesta suas alegrias, sua criatividade e sua esperança. E o Evangelho nos mostra que Jesus participou das festas do seu povo (cf. Jo 2,1-11). Deus não é inimigo da alegria humana. Ao contrário, a verdadeira alegria nasce do amor, da comunhão e da vida partilhada.
Somos seres encarnados. Nosso corpo, como nos recorda São Paulo, é templo do Espírito Santo (cf. 1Cor 6,19). A música, a dança e a expressão cultural podem ser celebração do dom da vida quando vividas com dignidade e responsabilidade.
Contudo, a alegria cristã nunca é fuga da realidade. Dom Hélder, incansável defensor dos pobres, nos lembraria que toda festa autêntica deve nos tornar mais solidários. Que ninguém seja esquecido. Que a alegria não exclua. Que a liberdade não fira a dignidade.
Por isso, convido cada um a viver este tempo:
Com discernimento e responsabilidade;
Com respeito por si mesmo e pelo outro;
Com olhar atento aos mais vulneráveis;
Preparando o coração para a Quaresma que se aproxima, tempo de conversão e renovação.
Que nossa alegria seja sinal da Esperança maior que nos sustenta — Cristo Ressuscitado, que nos chama a construir um mundo mais justo e fraterno.
Que estes dias sejam vividos com paz, equilíbrio e fraternidade.
Com minha bênção e oração,
Dom Roque Paloschi
Arcebispo de Porto Velho