Porto Velho, sábado, 25 de abril de 2026

24/04/2026 .

Cristo, Porta e Pastor: vocação, conversão e vida em abundância – IV Domingo da Páscoa (Ano A) – Dia Mundial de Oração pelas Vocações

O IV Domingo da Páscoa, tradicionalmente conhecido como o “Domingo do Bom Pastor”, convida a Igreja a voltar o olhar para o centro da vida cristã: a relação pessoal com Jesus Cristo, aquele que chama, conduz e dá sentido à nossa existência. Neste mesmo dia, celebramos também o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, o que amplia ainda mais o horizonte da reflexão: toda vida cristã é, antes de tudo, resposta a um chamado de Deus.

As leituras propostas (At 2,14a.36-41; Sl 22/23; 1Pd 2,20b-25; Jo 10,1-10) ajudam-nos a compreender, de forma clara e progressiva, como nasce e se desenvolve uma vocação. Elas mostram que a vocação não é algo reservado a poucos, mas um caminho aberto a todos. Esse caminho começa com o anúncio de Jesus Cristo, passa pelo encontro pessoal com Ele e se concretiza numa vida de conversão, seguimento e missão (cf. Lumen Gentium, n. 40).

Diante disso, este domingo nos interpela: tenho escutado a voz de Cristo? Estou aberto à conversão? Como tenho respondido ao chamado de Deus? Essas perguntas ajudam-nos a compreender a vocação cristã como um caminho de encontro, transformação e entrega.

O querigma que desperta a vocação

O discurso de Pedro, nos Atos dos Apóstolos, constitui o primeiro grande anúncio da Igreja: “Deus constituiu Senhor e Cristo a este Jesus que vós crucificastes”.

Essa palavra não apenas informa, mas transforma. O texto afirma que as pessoas “ficaram com o coração aflito”. Isso significa que a Palavra, quando acolhida com fé, toca o interior da pessoa e desperta uma pergunta essencial: “O que devemos fazer?” (At 2,37). Essa é a pergunta que marca o início de toda vocação (cf. Verbum Domini, n. 23).

Pedro responde indicando três atitudes fundamentais:

  • converter-se: mudar de vida e de direção;
  • ser batizado: acolher a vida nova em Cristo;
  • receber o Espírito Santo: que sustenta e envia em missão.

Assim, a vocação nasce do encontro com Cristo e cresce como resposta concreta a esse chamado.

Cristo, Pastor e Porta

No Evangelho, Jesus se apresenta com duas imagens profundamente significativas: Pastor e Porta.

Como Pastor, Ele conhece suas ovelhas, chama cada uma pelo nome e caminha à frente. Isso revela que a relação com Cristo é pessoal, marcada pela confiança e pela escuta (cf. Evangelii Gaudium, n. 171). Ser cristão não é aderir a uma ideia, mas seguir uma Pessoa viva.

Como Porta, Jesus afirma ser o único caminho para a salvação: “Quem entrar por mim será salvo”.

A imagem da porta indica acesso, segurança e direção. Não existe verdadeira vocação cristã fora dessa relação viva com Cristo (cf. Pastores Dabo Vobis, n. 12). Aqui encontramos um critério essencial: toda vocação autêntica conduz a Cristo e gera vida em abundância (cf. Jo 10,10).

O seguimento e o caminho da cruz

A Primeira Carta de Pedro recorda que seguir Cristo implica participar também do seu caminho: “Cristo sofreu por vós, deixando-vos um exemplo”.

A vocação não é um caminho fácil ou de prestígio, mas de fidelidade. O texto orienta a:

  • não responder ao mal com o mal;
  • confiar em Deus;
  • viver na justiça.

Ao final, encontramos uma imagem profundamente consoladora: “Voltastes ao Pastor e guarda de vossas vidas”. Isso mostra que a vocação é, antes de tudo, um retorno a Deus, um reencontro com o verdadeiro sentido da vida (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 142-143).

A vocação na Igreja de hoje

À luz da mensagem do Papa para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, compreendemos que Deus continua chamando também hoje. Como recorda o Papa Leão XIV, “toda vocação nasce do encontro com Cristo vivo e se fortalece na escuta fiel da sua Palavra, gerando discípulos missionários capazes de doar a própria vida” (LEÃO XIV, Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 2026).

Esse chamado exige de nós algumas atitudes concretas:

  • escutar a voz de Deus em meio às muitas vozes do mundo;
  • buscar acompanhamento, pois ninguém discerne sozinho;
  • viver a missão, pois toda vocação é serviço.

O Papa também ressalta que a crise vocacional não é apenas numérica, mas espiritual: falta escuta, testemunho e coragem para responder generosamente ao chamado de Deus. Onde a fé é vivida com autenticidade, as vocações florescem.

A partir das leituras, destacam-se alguns caminhos concretos:

  • valorizar o anúncio de Jesus Cristo (querigma);
  • educar para a escuta da Palavra;
  • colocar Cristo no centro de todo discernimento;
  • cultivar uma espiritualidade sólida, mesmo nas dificuldades;
  • fortalecer a comunidade como lugar onde a vocação nasce e amadurece (cf. CNBB, Documento 107).

O IV Domingo da Páscoa convida-nos a contemplar Cristo como Pastor que chama e Porta que conduz à vida. A vocação nasce desse encontro, cresce na escuta e se realiza na missão. Num mundo marcado por tantas vozes e distrações, somos chamados a redescobrir a importância de escutar a voz do Bom Pastor. A Igreja deve ser esse espaço onde essa voz é acolhida, discernida e vivida.

A vocação é um caminho de transformação

  • da dispersão à comunhão,
  • do medo à confiança,
  • da morte à vida.

E esse caminho tem um nome: Jesus Cristo, o Bom Pastor, que veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância.

Pe. Geraldo Siqueira de Almeida
24 de Abril de 2026

 

 

Bibliografia

BENTO XVI. Verbum Domini. Vaticano, 2010.

CONCÍLIO VATICANO II. Lumen Gentium. Vaticano, 1964.

CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. São Paulo: Loyola, 2000.

FRANCISCO. Evangelii Gaudium. Vaticano, 2013.

JOÃO PAULO II. Pastores Dabo Vobis. Vaticano, 1992.

CNBB. Documento 107 – Iniciação à Vida Cristã. Brasília, 2017.

LEÃO XIV. Mensagem para o Dia Mundial de Oração pelas Vocações. Vaticano, 2026.

BÍBLIA SAGRADA. Edição CNBB. Brasília, 2018.

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