Sete Palavras, um só Mistério
Na cruz, o Verbo não se cala:
fala no silêncio da dor.
Sete palavras, um só amor
derramado até o fim.
“Pai, perdoa-lhes.”
O perdão nasce primeiro.
Não espera. Não mede.
Deus ama antes da resposta.
“Hoje estarás comigo.”
O fim torna-se início.
No último instante, a graça abre o Paraíso.
Nenhuma queda é definitiva.
“Eis tua mãe.”
Da cruz nasce um povo.
Na dor, Deus faz família.
O amor gera comunhão.
“Por que me abandonaste?”
O Filho entra na noite humana.
Carrega o silêncio de todos.
Nenhum abandono fica sem Deus.
“Tenho sede.”
É o Amor que pede amor.
O Criador inclina-se à criatura.
Deus espera o coração humano.
“Tudo está consumado.”
Não é fim, é plenitude.
A entrega se cumpre inteira.
A cruz torna-se altar.
“Em tuas mãos.”
Tudo retorna ao Pai.
A morte se faz confiança.
O fim repousa em Deus.
Cristo crucificado,
tua cruz nos revela:
amar até o fim
é viver para sempre.
Pe. Geraldo Siqueira