Queridos irmãos e irmãs, Graça e Paz!
Neste Dia Internacional da Mulher, elevamos nossa voz em reconhecimento, gratidão e também em compromisso diante da vida e da dignidade de todas as mulheres.
A história da salvação nos recorda que Deus sempre contou com a coragem, a fé e a sensibilidade das mulheres. Desde as mulheres do Antigo Testamento, que sustentaram a esperança do povo de Israel, até Maria de Nazaré, cujo “sim” abriu ao mundo o caminho da Encarnação, vemos que o projeto de Deus passa também pelo protagonismo feminino.
A Bíblia nos recorda ainda que, na manhã da Páscoa, foi uma mulher quem primeiro se colocou diante do sepulcro vazio. Maria Madalena foi enviada para anunciar aos discípulos que a vida havia vencido a morte. Desde o início do cristianismo, portanto, Deus confiou às mulheres uma missão essencial: testemunhar a esperança quando tudo parece perdido.
No entanto, olhando para o mundo de hoje, somos obrigados a reconhecer uma realidade dolorosa: ainda existem muitas “sepulturas” onde mulheres continuam sendo silenciadas, feridas e mortas. A violência contra a mulher cresce de forma alarmante em nossa sociedade. A cada dia, vidas são interrompidas pelo machismo, pela desigualdade e pela cultura da violência. O feminicídio, os abusos, a exploração e tantas outras formas de violência revelam que ainda estamos longe de reconhecer plenamente a dignidade que Deus concedeu a cada mulher.
Diante dessa realidade, a fé cristã não pode permanecer neutra. Toda forma de violência contra a mulher é uma ferida no coração da humanidade e uma negação do Evangelho da vida. Onde uma mulher é humilhada, ali também é ferida a imagem de Deus.
Ao longo da história da Igreja, incontáveis mulheres anunciaram o Evangelho, educaram na fé, cuidaram dos pobres, sustentaram comunidades e transmitiram esperança nas horas mais difíceis. Também hoje, em nossas comunidades, são as mulheres que, muitas vezes silenciosamente, mantêm viva a chama da fé.
Ao mesmo tempo, também dentro da Igreja somos chamados a continuar avançando no reconhecimento da presença e da missão das mulheres. Em muitas de nossas comunidades, elas são maioria nas celebrações, na catequese, na ação pastoral e na vida cotidiana das comunidades. Por isso, surge uma pergunta que não pode ser ignorada: se as mulheres são maioria em nossas comunidades, por que ainda são minoria nos espaços de decisão?
Ainda precisamos crescer no reconhecimento efetivo de sua ministerialidade, de sua palavra e de sua presença também nos espaços de discernimento e de decisão pastoral.
O caminho sinodal que a Igreja vive em nossos dias nos recorda que todos os batizados e batizadas são chamados a caminhar juntos, escutando-se mutuamente e colocando os dons recebidos a serviço do povo de Deus. Nesse caminho, a presença, a inteligência, a sensibilidade e a fé das mulheres são uma riqueza que a Igreja não pode deixar de reconhecer, promover e integrar cada vez mais.
Neste dia 8 de março, elevamos nossa oração por todas as mulheres: pelas mães, avós, jovens, religiosas, leigas comprometidas, catequistas, lideranças comunitárias e por tantas que, com generosidade e coragem, constroem diariamente a vida de nossas comunidades.
Que o testemunho de Maria Madalena, primeira anunciadora da Ressurreição, continue a inspirar a Igreja e a humanidade a abrir os sepulcros da violência, da invisibilidade e da injustiça, para que floresça uma cultura de respeito, dignidade e vida plena para todas as mulheres.
Que Maria, mulher da escuta e da coragem, acompanhe cada mulher em sua vida e missão.
Que o Senhor fortaleça todas aquelas que lutam por justiça, dignidade e vida plena. E que nossas comunidades cristãs sejam sempre mais espaços de respeito, participação, cuidado e esperança para todas as mulheres.
Com gratidão e bênção,
Dom Roque Paloschi
Arcebispo de Porto Velho